Colonialidade, natureza e direitos humanos

Uma leitura à luz de Enrique Dussel

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24142/raju.v16n32a2

Palavras-chave:

Capitalismo, Colonialidade, Direitos Humanos, Enrique Dussel, Natureza

Resumo

O foco deste texto é refletir sobre os vínculos entre natureza, colonialidade e Direitos Humanos na leitura do filósofo argentino Enrique Dussel. Assim, questionamos qual a contribuição que os Direitos Humanos podem oferecer à luz da crítica de Enrique Dussel para pensar tais processos excludentes de reprodução do capital na América Latina? Em que medida o pensamento latino-americano pode contribuir de forma radical? Qual a razão para a natureza ser apropriada de forma mercantil na modernidade? Para responder tais questões, organizamos o trabalho em quatro momentos: no primeiro momento, apresentaremos a “crítica” dusseliana aos Direitos Humanos na América Latina; no segundo momento, analisaremos as relações entre capitalismo e colonialidade das quais a modernidade cumpriu etapa decisiva para apropriação mercantil da natureza. No terceiro, situaremos a sua contribuição acerca do direito vigente x direito utópico em sua aproximação crítica para os Direitos Humanos realizada pelo pensador argentino. Por fim, indicaremos a contribuição política de Dussel para uma crítica a ordem social capitalista, para outra ordem social, capaz de garantir o direito à vida e ao ambiente na América Latina.

Biografia do Autor

César Augusto Costa

Sociólogo. Pós-Doutor em Direito e Justiça Social/FURG Professor no PPG em Política Social e Direitos Humanos/UCPEL. Coordenador do Núcleo de Estudos Latino-Americano (NEL). Pesquisador do Laboratório de Investigação em Educação, Ambiente e Sociedade (LIEAS/UFRJ).

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Publicado

2021-05-10

Como Citar

Costa, C. A. (2021). Colonialidade, natureza e direitos humanos: Uma leitura à luz de Enrique Dussel. Ratio Juris UNAULA, 16(32), 51–71. https://doi.org/10.24142/raju.v16n32a2

Edição

Seção

Artículos de investigación