Racismo Ambiental o “Direito vivo” dos povos indígenas: Uma leitura a partir da Teoria Crítica dos Direitos Humanos
DOI:
https://doi.org/10.24142/raju.v17n35a15Palavras-chave:
Racismo Ambiental, Direito Vivo, Povos Indígenas Brasileiros, Bem ViverResumo
Este artigo visa discutir o atual desmonte das políticas ambientais no Brasil, referenciada no Racismo Ambiental e na Teoria Crítica dos Direitos Humanos, sob a perspectiva do “direito vivo” dos povos indígenas brasileiros, uma vez que expõe a importância de uma reflexão voltada à construção de um novo paradigma civilizatório a estes grupos vulneráveis, pautados numa sociedade igualitária e justa. Indicamos que o racismo ambiental sofrido pelos povos indígenas brasileiros, somado à dificuldade de elaboração de políticas públicas universais em razão de suas diversidades culturais, impõe-lhes um atendimento particular e especial a partir de um direito vivo, embasado na Teoria Crítica dos Direitos Humanos, que parte do processo de lutas sociais desses povos. Destacamos que as práticas do “Bem Viver”, alicerçadas na perspectiva crítica do Direito, podem se constituir num referencial contra-hegemônico ao encontro de um paradigma civilizatório a estes grupos étnicos vulneráveis e marginalizados pela matriz colonial de poder.
Downloads
Referências
Acosta, Alberto; Ulrich, Brand. (2018) Pós-extrativismo e decrescimento: saídas do labirinto capitalista. São Paulo: Autonomia Literária & Elefante.
Acosta, Alberto. (2016) O bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. Tradução de Tadeu Breda. São Paulo: Autonomia Literária, Elefante.
Acselrad, H. (2010) Mapeamentos, identidade e territórios. In. ACSELRAD, H. (Org.). Cartografia Social e Dinâmicas Territoriais: marcos para o debate. Rio de Janeiro: Ippur/UFRJ.
______. (2015) Vulnerabilidade social, conflitos ambientais e regulação urbana. O Social em Questão - Ano XVIII - nº 33, p. 57-68.
Acselrad, Henri; Bezerra, Gustavo das Neves. (2020) Desregulação, deslocalização e conflito ambiental: considerações sobre o controle das demandas sociais no Brasil contemporâneo. Disponível em: <https://pdtsa.unifesspa.edu.br/images/texto.pdf>. Acesso em: 14 de novembro de 2020.
Acselrad, Henri; Bezerra, Gustavo das Neves; Mello, Cecília C. do Amaral. (2009) O que é justiça ambiental. Rio de Janeiro: Garamond Universitária.
Alckmin, Fábio. (2020) A autonomia indígena em defesa da Amazônia (Parte I). Disponível em: <https://diplomatique.org.br/a-autonomia-indigena-em-defesa-da-amazonia-parte-i/>. Acesso em 21 de maio de 2020.
Bello, Enzo. (2018) A cidadania no constitucionalismo latino-americano. Rio de Janeiro: Lumen Juris.
BRASIL. (2020) Decreto nº. 6.040, de 07 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm>. Acesso em 19 de nov. de 2020.
_______. (1988) Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br> Acesso em 20 de maio de 2020.
_______. (2020) Ministério da Saúde. Disponível em: https://saudeindigena.saude.gov.br/. Acesso em 10 de novembro de 2020.
Carmo, Samanta do. (2020) Mineração em terras indígenas volta à pauta da Câmara. Congresso em Foco. Brasília-DF, 07 de jul. de 2019. Disponível em: https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/mineracao-em-terras-indigenas-volta-a-pauta-da-camara/. Acesso em 14 de novembro de 2020.
CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO – CIMI. (2019) Relatório Violência dos Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2019. Disponível em: <https://cimi.org.br/wp-content/uploads/2020/10/relatorio-violencia-contra-os-povos-indigenas-brasil-2019-cimi.pdf>. Acesso em 16 de novembro de 2020.
Dussel, Enrique. (1992) 1492: el encubrimiento del outro: hacia el origen del mito de la modernidad. Madrid: Nueva Utopia, 1992. Conferências de Frankfurt.
Galeano, E. (2005) No es suicidio, es genocidio y ecocidio. Observatorio social latinoamericano, n. 18, p. 1-5.
Ehrlich, Eugen. (1986) Fundamentos da sociologia do direito. Tradução de René Ernani Gertz. Brasília: UNB.
Salomão, Lucas. (2019) Entenda o Processo de Demarcação de Terra Indígena Criticada por Bolsonaro. Portal G1, Brasília-DF, 08 de set. de 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/09/08/entenda-o-processo-de-demarcacao-de-terras-indigenas-criticado-por-bolsonaro.ghtml. Acesso em 12 de novembro de 2020.
Herrera Flores, Joaquín. (2009) A reinvenção dos direitos humanos. Tradução de Carlos Roberto Diogo Garcia e; Antônio Henrique Graciano Suxberger; Jefferson Aparecido Dias. Florianópolis: Fundação Boitex.
FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO. Índios no Brasil. (2020) Disponível em: http://www.funai.gov.br/index.php/indios-no-brasil/terras-indigenas. Acesso em: 20 de maio de 2020.
Gomes, Mércio Pereira. (2018) Os índios e o Brasil: passado, presente e futuro. São Paulo: Contexto.
INJUSTIÇA AMBIENTAL. (2020) Rede Brasileira de Justiça Ambiental, Fortaleza – CE [s.d]. Disponível em: <https://redejusticaambiental.wordpress.com/>. Acesso em 01 de dez. de 2020.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. (2020) Indígenas. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/estrutura-territorial/15761-areas-dos-municipios.html?=&t=o-que-e. Acesso em 20 de maio de 2020.
Ivo, Anete Brito Leal (2001). Metamorfoses da questão democrática. Buenos Aires: CLACSO.
JUSBRASIL. Raposa Serra do Sol: entenda o caso. Disponível em: https://stf.jusbrasil.com.br/noticias/100628/raposa-serra-do-sol-entenda-o-caso. Acesso em 19 de nov. de 2020.
Leroy, J.P.; Meirelles, J. (2013) Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais: os visados territórios dos invisíveis. In: PORTO, M.F.; PACHECO, T.; LEROY, J.P. (orgs.). Injustiça ambiental e saúde no Brasil: o Mapa de Conflitos [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, p. 115-131. Disponível em: <http://books.scielo.org/id/468vp/pdf/porto-9788575415764-05.pdf>. Acesso em 18 de nov. 2020.
Haje, Lara. (2020) Povos indígenas do Mato Grosso ressaltam que não são responsáveis pelo fogo no Pantanal. Agência Câmara de Notícias, Brasília, 01 de out. de 2020. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/697281-povos-indigenas-do-mato-grosso-ressaltam-que-nao-sao-responsaveis-pelo-fogo-no-pantanal/. Acesso em: 14 de nov. de 2020.
Lowy, M. (2014) Lutas ecossociais dos indígenas na América Latina. Revista Crítica marxista, n. 38, p. 61-69.
Luciano, Gersem dos Santos (2006). Da cidadania à autonomia indígena: um desafio à diversidade cultural. In. O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje /– Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília: LACED/Museu Nacional.
Ludwig, Celso Luiz. (2018) Prefácio. In. SOUZA FILHO, Carlos Frederico Marés de. O renascer dos povos indígenas para o direito. Curitiba: Juruá.
Lupion, Bruno. (2020) Mais 170 mil brasileiros entraram para a pobreza extrema em 2019. Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/05/18/mais-170-mil-brasileiros-entraram-para-a-pobreza-extrema-em-2019.htm. Acesso em 19 de nov. de 2020.
Martínez, Alejandro Rosillo. (2015) Fundamentação dos direitos humanos desde a filosofia da libertação. Tradução de Ivone Fernandes Morcilo Lixa, Lucas Machado Fagundes. Ijuí: Ed. Unijuí.
Pacheco, Tânia C. (2010) Terra e território à luz do mapa da injustiça ambiental e saúde no Brasil. In. Seminário Terra/Território: desafios jurídicos e políticos em movimento (s), João Pessoa: Dignitatis/INCRA.
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬______. Inequality, Environmental Injustice, and Racism in Brazil: Beyond the Question of Colour. (2008) In: Development in Practice. Aug. 2008, Vol.18 (6). Versão em português disponível em: http://www.justicaambiental.org.br/_justicaambiental/pagina.php?id=1869, sob o título “Desigualdade, injustiça ambiental e racismo: uma luta que transcende a cor”. Acesso em 12 de out. de 2020.
Queiroz, Cristina. (2020). Covid-19 e indígenas: os desafios no combate ao novo coronavírus. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/05/02/covid-19-e-indigenas-os-desafios-no-combate-ao-novo-coronavirus.htm Acesso em: 24 de jul. de 2022.
Quijano, Aníbal. (2005) Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. Buenos Aires: CLACSO, Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais, 2005. Disponível em: <http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/sur-sur/20100624103322/12_Quijano.pdf>. Acesso em 12 de nov. de 2020.
______. (2013) “Bem Viver”: entre o “desenvolvimento” e a “des/colonialidade do poder”. R. Fac. Dir. UFG, v. 37, n. 1, p. 46 - 57, jan/jun.
Sanchez Rubio, David. (2018) Derechos humanos instituyentes, pensamento crítico y práxis de liberación. Ciudad de México: Akal/Inter Pares.
Santos, Boaventura de Sousa; Garavito, César A. Rodríguez. (2007) El derecho y la globalización desde abajo: Hacia una legalidad cosmopolita. Traducción de Carlos F. Morales de Setién Ravina. — Rubí. Barcelona: Anthropos; México: UAM Cuajimalpa.
Sassen, Sáskia. (2016) Expulsões: brutalidade e complexidade na economia global. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
Souza Filho, Carlos Frederico Marés de. (2018) O renascer dos povos indígenas para o direito. Curitiba: Juruá.
Thomás Júnior, Antônio. (2010) O agrohidronegócio no centro das disputas territoriais e de classe no brasil do Século XXI. In. Campo-Território: revista de geografia agrária, v.5, n.10, p. 92-122. Disponível em: <http://www.seer.ufu.br/index.php/campoterritorio/article/view/12042>. Acesso em 01 de dez. de 2020.
Valente, Rubens. (2019) Invasões em terras indígenas sobem 135% no 1º ano de Bolsonaro, diz Cimi. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/colunas/rubens-valente/2020/09/30/indigenas-relatorio-violencia-brasil-governo-bolsonaro.htm>. Acesso em 15 de novembro de 2020.
WOLKMER, Antônio Carlos. (2013) Pluralismo crítico e perspectivas para um novo constitucionalismo na América Latina. In. WOLKMER, Antônio Carlos; MELO, Milena Petters (orgs.). Constitucionalismo Latino-Americano: tendências contemporâneas. Curitiba: Juruá, p. 19-42.
______. (2002) Introdução ao pensamento jurídico crítico. 2ª ed. São Paulo: Saraiva.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2022 César Augusto Costa

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
La rivista consente all'autore (s) di mantenere i diritti di pubblicazione senza restrizioni.
Le journal permet à l'auteur (s) de conserver les droits de publication sans restrictions.
The journal allows the author (s) to retain publication rights without restrictions.
La revista le permite al autor(es) retener los derechos de publicación sin restricciones
Die Zeitschrift ermöglicht es dem / den Autor (en), Veröffentlichungsrechte ohne Einschränkungen zu behalten.
A revista permite que os autores mantenham os direitos de publicação sem restrições.





























